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Qual é o tempo do tempo?

Atravessamos uma era de transmutações, apreciamos a velocidade do tempo como um raio de luz que rapidamente nos deixa para traz. Assustadoramente podemos observar que não sabemos mais qual é o tempo do tempo, deixando um enorme vácuo na mente das pessoas que nem de longe lembram o que comeram no café da manhã, tudo é veloz e voraz, consumimos de tudo e a todo momento, precisamos de coisas para as coisas e satisfazer desejos infinitos, consumimos uns aos outros e pior estamos consumindo o universo através do nosso consumo.

Estamos no fim de uma longa faze de consumo desenfreado,  desde a primeira revolução industrial  e principalmente nos últimos 50 anos ultrapassamos os limites de consumo global, chegando a escassez de matéria prima e o bem mais precioso, a água, que fora contaminada pelos dejetos industriais. Agora no inicio deste jovem século, após de 200 anos de desenvolvimento industrial, temos de enfrentar uma crise ambiental cada vez maior causada por miopia e uma radicalização da atividade humana, enquanto a Internet reduziu o mundo. Nossos recursos estão se esgotando, enquanto nossos desejos estão em proliferação. A variedade cultural e a diversidade regional estão em extinção devido a globalização econômica. O artesanato tradicional está desaparecendo do nosso cotidiano, e agora só pode ser encontrado nas exposições e museus.

Após um longo período de evolução industrial estamos partindo para novas tecnologias onde o que vale não é a matéria propriamente dita, e sim o que não podemos tocar, o intangível, o invisível, o impossível. A era das mídias sociais, das startups, dos laboratórios abertos, da economia compartilhada, trouxe junto a revolução do design maker, onde criativos do mundo todo criam coisas inesperadas, de forma totalmente inusitada misturando processos artesanais a processos industriais como corte a lazer, impressão 3D, CNC e outras tecnologias que otimizam processos, consumindo menos matéria prima e energia.

Diante de tal mundo, os designers, já não devem continuar a buscar lucro, que caracterizou o século passado. Einstein disse “uma vez que superada uma crise é parar de pensar nos mesmos meios pelos quais a crise foi causada”. No século XXI, o designer não deve mostrar sua personalidade e incentivar os consumidores a seguir tendências de curto prazo. A crise de que falamos não é regional ou nacional. As questões ambientais são apenas o sintoma de uma fraqueza interna que provoca tais desastres. Não podemos escapar das consequências causadas por nossa própria ganância, egoísmo e estreita mentalidade. O que podemos extrair de positivo da crise ambiental é reunir o mundo inteiro, pela primeira vez na história, para resolver o problema em conjunto. Cada um de nós é parte igual da solução, assim como parte geradora do problema, sem exceção. A crise trás a reflexão e a consciência de que somos um só, seja em um país desenvolvido ou em desenvolvimento, seja rico ou pobre, seja em uma grande cidade ou país remoto. Os designers, que são os criadores do ambiente que abitamos, não devem mais se isolar e dedicar-se ao supérfluo. Se você já observou o mundo real, perceberá a necessidade de os designers assumirem novas responsabilidades. A idade do individualismo está chegando ao fim, enquanto a idade do comum e do crescimento mútuo está começando. Esta é uma questão de sobrevivência e de transcendência da natureza humana.

 Responsabilidades de um designer:

O designer deve ter a responsabilidade ecológica para com o futuro, pensando nos possíveis danos causados no processo de produção de tal produto ao meio, devendo utilizar os recursos naturais de forma frugal a produzir coisas recicláveis ou recicladas em beneficio a longo prazo.

A responsabilidade ética para com o presente, a criatividade e a sensibilidade de um designer não devem ser utilizadas apenas como oficio, mas também como papel social e contribuir na conscientização do consumidor.  Eles têm a responsabilidade de expressar adequadamente suas percepções e não estimular o desejo das pessoas a promover o consumo cego na busca do lucro. A qualidade mais admirável no papel social do designer é a honestidade.

Transmitir o patrimônio cultural perante o passado, pois estamos vivendo em um mundo onde a sabedoria das gerações passadas é abundante, devemos proteger e transmitir às gerações futuras, em vez de cortar a tradição do nosso próprio tempo. Nossa herança cultural não deve ser inserida em museus, mas sim penetrar em nosso cotidiano através da criatividade viva.

Acima de tudo, minha compreensão de design e o papel do designer na sociedade vem da minha percepção dos valores do mundo e da vida humana. Eu realmente acredito que essa busca em criar a mais essencial das formas é um processo interminável de alto cultivo, não em busca de um objetivo distante mas sim um passo a passo em busca de inspiração.

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